THE LAO TZU CODE

Sub-título: Key to anciente Chinese and Greek natural life care and search for truth

Depois de anos praticando taiji e estudando grego antigo, o alemão Peter Hubral percebe uma grande coerência entre os ensinamentos dos gregos (gnósis, epistéme) e das escolas orientais.

Em seu primeiro livro, “The Socrates Code”, já comentado aqui no Medite Comigo, Hubral demonstrou que os gregos anteriores a Aristóteles davam outro significado para o que chamamos de filosofia, pedagogia e matemática.

Agora, em seu segundo livro, “The Lao Tzu Code”, Peter Hubral nos fala da técnica utilizada pelos gregos para alcançar a sabedoria comum aos povos antigos. No primeiro livro, ele oferece a introdução e a teoria, enquanto neste segundo ele aborda a prática.

CONTEÚDO:
A defesa principal é que com Aristóteles a humanidade parte para uma busca condicionada por conhecimento (caminho ocidental) via razão, mente concreta, observação direta da matéria, perguntas e respostas, construção lógica. Ou seja, ele abriu as portas para a obtenção de conhecimento como fazemos na modernidade, isto é, através de busca ativa, de exercício mental. Antes de Aristóteles era diferente. Tínhamos o conhecimento incondicional, a luz que ilumina a razão. É o conhecimento natural, orgânico, espiritual. Não há um melhor que outro. O pensamento discursivo e o pensamento intuitivo se beneficiam mutuamente, exatamente como prescreve a dialética Yin-Yang.

Os pré-aristotélicos(séc 4,5 e 6 AC) mais citados no livro são: Sócrates, Platão, Heráclito, Tales de Mileto e Pitágoras. Do mundo oriental, Hubral irá citar principalmente Zhuangzi (séc. 4 AC), seguido dos mais recentes Ibn Sina(980-1037DC), Ibn Arabi(1165-1240 DC) e Shams Tabrizi (1185-1248, mestre de Rumi), e Suhrawardi(1154-1191).

De certa forma, parte do conteúdo que encontramos no livro já nos foi apresentado pela Nova Era. Mas com esse livro o leitor encontrará fundamentos e sairá da superficialidade.

Após 160 páginas de teoria, nos dois últimos capítulos (31 páginas), o autor abordará a prática dos gregos. Mas não se anime muito. Essa parte prática dos gregos se resume à imobilidade. O autor não entra em muitos detalhes. É isso. Imobilidade física, emocional, manter a homeostase e a pacificação mental. Nesse aspecto, os chineses se diferenciam e conseguiram preservar suas práticas, estilos e variações com muito mais detalhe.

O exercício individual poderá ser facilitado por uma transmissão de energia de um mestre, seja pela energia assentada no local da prática ou por uma exteriorização do mestre (veja imagem de capa). Esse padrão vibracional servirá de “semente” para o processo do aluno.

Ao longo do tempo o praticante perceberá etapas na ampliação de sua consciência. Essas etapas se igualam às 9 etapas descritas no TaijiTu, interpretado como o percurso do macro-cosmos multidimensional ao micro-cosmo material. Ou seja, o que diz Peter Hubral é que há uma similaridade entre as etapas do despertar da consciência e as fases para manifestação da natureza, desde seu surgimento até como se apresenta fisicamente para nós.

ORIGINALIDADE:
A ideia de apresentar a prática dos gregos é original e não vi em nenhum outro local.

A contracapa afirma ser um livro revolucionário e profundo. Bem, é mais profundo do que revolucionário uma vez que o paralelo entre escolas chinesas e os ensinamentos dos pré-aristotélicos não é uma inovação. Alguns estudiosos já traçaram esse paralelo antes. Peter Hubral adiciona à essa linha de estudos ao trazer o universo iraniano persa na comparação entre escolas. Ficará de fora desse cotejo os conhecimentos tradicionais da Índia. Mas o interessado poderá encontrar facilmente títulos com essa abordagem.

Outro ponto precisa ser destacado: é a apresentação do esquema chinês TaijiTu é feita de uma forma que nenhum outro livro faz.

Peter Hubral trás luz à áreas de difícil interpretação tidas como nebulosas e misteriosas. Quem nunca leu nada sobre o assunto vai gostar.

REQUISITOS PARA LEITURA:
O autor escreve em inglês. Como não é sua primeira língua, o inglês utilizado é direto, funcional, sem um vocabulário extenso. Apesar dos inúmeros termos gregos o autor é bem didático. Não é necessário ao leitor inclinação para filosofia.

Tenho a sensação que não é preciso ter lido o primeiro livro da trilogia “The Socrates Code”. Você pode ler sem seguir a ordem proposta pelo autor.

“The Lao Tzu Code” é exclusivamente mental e não substitui a prática. Terá um maior aproveitamento o leitor que é praticante.

RECOMENDAÇÃO:
Os dois livros da trilogia poderiam estar condensados em um único volume. Peter Hubral quis trazer ao público tudo que encontrou, e com isso acabou inserindo informações além do necessário. Por isso, não posso recomendá-lo a todos.

Indico essa obra como pré-leitura, para aqueles que desejam estudar o Taijitu e o clássico “Dao de jing”, já comentado aqui no Medite Comigo por Pedro Nunes.

 

links externos sugeridos pelo autor DESSE POST:

  • O Taijitu

    Com certeza você conhece aquele símbolo circular do YinYang em movimento. Ele é a representação de um pedaço do TaijiTu.

VIDEOS SUGERIDOS PELO AUTOR DESSE POST:

Entrevista com o Autor. Em inglês (19 minutos)

 

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PAULO HENRIQUE ARAUJO

paulo@meditecomigo.org

Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

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