THE SOCRATES CODE

Sub-título: Rediscovering the long lost secrets of Ancient Philosophy with Tai Chi

“The Socrates Code” é um livro sobre como a filosofia dos gregos antigos antes de Platão foi distorcida.

O autor nos explica que existia na Grécia uma prática energética meditativa que lembra as práticas de estilo oriental. Uma prática da observação, do não fazer. Essa prática nos coloca em contato direto com planos mais sutis. Sócrates e Platão falavam desses planos sutis. Falavam das mesmas coisas que seus contemporâneos Chineses. O livro faz então um paralelo entre a visão dos gregos e a visão de uma das correntes de pensamento taoísta, o WuWei.

A idéia principal defendida no livro é que os gregos, até Platão, praticavam a observação da natureza de forma não condicionada. O termo “não condicionado” significa observar a natureza sem tentar buscar respostas para uma pergunta. Seja o cientista pesquisador da natureza ou seja o buscador no caminho espiritual, ambos devem praticar a observação livre de qualquer interesse ou expectativa. E aí simplesmente vem. Como assim “simplesmente vem”? Pois é… uma vez atingido certo nível consciencial, o conhecimento simplesmente vem, a informação chega.

Peter Hubral vai traduzir alguns desses conhecimentos que “chegaram” aos gregos. Como o significado original das palavras planeta, filósofo, matemático, geometria, música, cosmos, átomo, psiché, astronomia, pedagogia e inúmeras outras que tiveram seu significado totalmente alterado pelo tempo. Não posso colocar aqui seus significados originais pois seria como contar o final de um filme. Só posso dizer que é surpreendente.

O LIVRO NÃO É PARA TODOS
Peter Hubral pesquisou nas fontes originais em grego, assim como vários estudiosos já o fizeram. A diferença entre eles é que Hubral tem a sensibilidade desenvolvida em anos de prática de TaiChi e assim conseguiu ter uma interpretação diferente de outros historiadores e filósofos.

Da mesma forma que essa interpretação exigiu prática ao autor, exige-se prática do leitor. Para apreciar o que ele fala é preciso ter um mínimo de desenvolvimento parapsíquico. É preciso pelo menos sentir energias. Sem um mínimo de prática você vai achar que ele é um louco.

Apesar do livro estar na pratileira da “filosofia”, a escrita é simples. Nada complexo. Mas como dito acima, requer prática. O acadêmico erudito sem prática, não vai entender.

PEQUENAS CRÍTICAS:
O livro é redundante. Ele repete a mesma idéia dez vezes. O livro poderia ser reduzido em pelo menos 30%.

O livro é mal escrito. Peter Hubral não é um escritor profissional. Nota-se que ele escreveu “nas pressas”. Que ele queria gritar para o mundo: “Olha, o que vocês entenderam sobre filosofia está errado!”.

ORIGINALIDADE:
O livro é parcialmente original pois o ensinamento esotérico dos Gregos não é novidade. A cosmovisão de Pitágoras, por exemplo, já é bem divulgada. Mas Hubral quase não menciona Pitágoras. O livro inova ao trazer interpretações de Sócrates e Platão. Inova no paralelo com o ensinamento chinês antigo, inova indo no nível de cada palavra.

A IMPORTÂNCIA DO LIVRO
Esse livro tem três aspectos de certa relevância:

  • PRIMEIRO. Mostra que existe um caminho não religioso, totalmente mental para questões metafísicas e existenciais. Porém os gregos não chegaram a deixar um legado com respostas práticas ao ponto de desenvolver um IChing, que é essencialmente prático. Mas deixaram uma base para o desenvolvimento de uma filosofia, que devido aos interesses políticos e religiosos não aconteceu. A importância está aí. Existe um outro caminho mental que pode ser seguido e quase foi esquecido.
  • SEGUNDO. Faz soar um grande alerta, pois o pensar se faz pela linguagem, com palavras. Palavras são representações de conceitos que suportam uma visão de mundo. Então, se as palavras foram distorcidas, meu pensar também o será. Se as palavras foram distorcidas minha visão de mundo assim será.
  • TERCEIRO. Em certo momento da caminhada, o desenvolvimento espiritual passa pelo desenvolvimento mental. O livro ajuda a fechar o “gap” entre o mundo espiritual e o mundo do pensar.

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Entrevista com o autor (em inglês)

  • Sobre o autor desse post
PAULO HENRIQUE ARAUJO
Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

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