Clóvis de Barros Filho: Desvendando o Mito da Caverna – Parte 1 (17 minutos)
Clóvis de Barros Filho: Desvendando o Mito da Caverna – Parte 2 (18 minutos)
Recentemente entrei em uma daquelas feirinhas de livros que encontramos em vários shoppings e me deparei com O Mito da Caverna. Pensei: “Nunca é tarde para ler uma das histórias mais influentes do pensamento ocidental.” Tinha preço simbólico, R$15. Peguei e comprei.
O texto faz parte dos livros VII, VIII e IX da obra maior de Platão, A República. Apesar de ser uma obra filosófica, ela pode — e deveria — ser lida por todos. A linguagem é acessível, mas carrega múltiplas camadas simbólicas, o que permite que cada leitor tenha sua própria percepção. Alguns se deterão nas sombras da caverna, outros na jornada de saída, outros ainda no retorno do prisioneiro ao interior da caverna.
Essa edição conta com comentários do professor Clóvis de Barros Filho, que destaca os aspectos filosóficos. No entanto, o prefácio induzirá o leitor ao ponto de vista do professor. Minha sugestão: pule essa parte do início e vá direto ao texto principal. Leia primeiro o texto de Platão e, depois, volte aos comentários do professor.
O livro tem duas partes.
PARTE 1 – A ALEGORIA DA CAVERNA
A famosa alegoria ocupa apenas as cinco primeiras páginas do Livro VII de A República. O ChatGPT, inclusive, preparou para nós uma versão ainda mais resumida, com apenas uma página, reunindo os elementos centrais a partir de traduções em domínio público. Clique aqui para baixar. Vale a leitura.
Para escrevê-la, como faz o ChatGPT, Platão não partiu do nada. Ele se inspirou em alguns princípios de Pitágoras e pelo Orfismo:
Platão então, condensou esses princípios nessa curta história da caverna. Foi um sucesso. O mito influenciou o pensamento religioso, místico e espiritualista do Ocidente. Muitas imagens presentes no inconsciente coletivo vêm daí: “a verdade liberta”, a luz como símbolo da verdade, a alma aprisionada no mundo material, a ascensão da consciência e mais, muito mais.
O Mito da Caverna ajudou a consolidar as ideias pitagóricas e do orfismo como modelo universal da iluminação espiritual. E por isso, todo buscador espiritual deveria conhecer essa parte da obra, ou pelo menos essa versão de uma página acima.
PARTE 2 – APLICAÇÕES SOCIAIS E POLÍTICAS
O restante do livro é a aplicação dessa alegoria espiritualista nos campos da filosofia e na sociedade.
Para quem busca apenas os aspectos espirituais, essa parte é dispensável.
Platão queria contrapor as ideias do sofismo (não confunda com sufismo, a porção mística do islamismo). No sofismo, as leis e a moral são criações do poder. Quem manda é quem define o que é justo. Para essa turma a verdade é relativa. Platão considerava o sofismo perigoso.
IMPRESSÕES PESSOAIS
Alguns pontos me chamaram atenção.
É muito interessante a relação que Platão estabelece entre temperamento, educação e as formas de governo. Segundo ele, existe uma sequência de degeneração política, baseada nas “almas” que governam:
Isso me levou a refletir que o Brasil não é uma democracia plena. Ainda temos fortes traços de uma oligarquia. Isto é, somos governados por pequenos grupos políticos, econômicos e jurídicos que defendem seus próprios interesses. Esse pequeno grupo define o que pode, e o que não pode. Como na oligarquia, esses pequenos grupos defendem o seus próprios interesses e não o do povo.
Segundo Platão, a democracia tende a degenerar em tirania, e começamos a perceber isso nos nossos dias.
Por fim, me surpreendeu quando Sócrates afirma que a democracia se instala pela ameaça ou violência da maioria pobre contra os oligarcas ricos.
ANACRONISMO
É fundamental lembrar que estamos lendo uma obra do século IV a.C. Por isso, certos trechos exigem cuidado, tem que dar um desconto pois contém valores de uma época não mais compatíveis com nosso tempo. Por exemplo:
RECOMENDAÇÃO
O livro é escrito em forma de diálogo, mas às vezes parece um monólogo: Sócrates fala, e Glauco, um verdadeiro puxa-saco, concorda com tudo.
Em certos momentos a leitura é enfadonha. Leia ao menos o resumo de uma página do ChatGPT.
Para mim, os três últimos parágrafos do Livro IX são fundamentais — e quase ninguém fala sobre eles. Não farei como o comentarista Clóvis de Barros Filho que deu spoiler na introdução. Para saber, você terá que ler :)
links externos sugeridos pelo autor DESSE POST:
O mito da caverna em uma página
Clique e baixe gratuitamente o PDF criado pelo ChatGPT.
http://www.meditecomigo.org/wp-content/uploads/2025/07/Alegoria_da_Caverna_Platao.pdf
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paulo@meditecomigo.org
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