THE ZOROASTRIAN FAITH

Sub-título: Tradition & Modern Research

Você provavelmente já ouviu falar do Zoroastrismo.
Mas antes de falarmos do livro, gostaria de te dar um contexto.

O Zoroastrismo tem início com as mensagens de seu profeta, Zoroastro, entre aproximadamente 1200 e 600 a.C. na Pérsia (hoje Irã). O Zoroastrismo é tão antigo quanto o Rig Veda da Índia.

Um pouco mais a frente no tempo, no século VI a.C., o Zoroastrismo atingia seu auge. Para efeitos de comparação, nessa época, o Exílio Babilônico estava chegando ao fim, momento histórico quando o judaísmo passou a se reconhecer como uma identidade religiosa.

Estamos portanto falando de uma tradição religiosa das mais antigas que sabemos ter existido na humanidade. Nessa época pouca coisa foi deixada escrita, muitos ensinamentos eram transmitidos de forma oral trazendo inúmeros desafios para os historiadores.

PORQUE ESCOLHI ESSE LIVRO
O Zoroastrismo é tido como a primeira religião monoteísta. A primeira religião a falar de livre-arbítrio, céu e inferno, ressurreição dos mortos com julgamento ao final etc. Em resumo, Zoroastro criou a “arquitetura de princípios” que norteia todas as religiões do Ocidente e do Oriente Médio. Não é de se surpreender que autoria dessas ideias seja bastante reivindicada por outras religiões especialmente pois é documentado que o Zoroastrismo também sofreu influências de outras religiões e cultos como o Cristianismo, Budismo, Gnosticismo e Maniqueísmo.

Minha escolha por esse livro, foi exatamente para entender o que podemos afirmar ser original de Zoroastro e o que veio de influência externa.

CONTEÚDO
Custeado pelo governo do Canadá, The Zoroastrian Faith é resultado de pesquisas do acadêmico S.A. Nigosian.
Em seu livro, Nigosian apresenta o que se sabe ser autêntico do Avesta (o livro sagrado do Zoroastrismo) e como este está organizado. Nos conta a história, o ambiente cultural e a formação do Zoroastrismo. Também comenta como os rituais dessa religião são executados hoje em dia.

À medida que aborda esses assuntos, o autor sempre destacará o que é propagado pela tradição daquilo que são fatos reconhecidos pelos acadêmicos.
Ao meu ver, Nigosian entrega a promessa que se lê no subtítulo: Tradição e pesquisa moderna.

O QUE SE PODE AFIRMAR DO ZOROASTRISMO
Zoroastro escreveu 21 livros e muito pouco restou escrito. Coloco abaixo uma lista com ideias seguramente aceitas por acadêmicos como sendo originárias, inovações de Zoroastro:

  • Há uma luta cósmica entre o Bem vs Mal, e participam disso anjos, demônios e o homem.
  • Zoroastro fala da união da alma com Deus (Mazda).
  • Mazda (seu Deus) é perfeito, glorioso, infalível.
  • Mazda dá ordem às coisas. É a luz que ordena o caos.
  • Mazda é a verdade.
  • Mazda é inteligência cósmica.
  • Mazda é o criador dos homens.
  • No final dos tempos o Bem vencerá o Mal. E assim, Zoroastro opta pelo deus do bem. Eu chamo de um “monoteísmo por opção”.
  • Ele dá um foco na ética (mesmo antes dos gregos).
  • Zoroastro propõe o que hoje entendemos por filantropia.
  • O homem deve ajudar no progresso da comunidade.
  • Para participar de sua religião, o interessado tinha que aceitar Mazda, assim como hoje o cristão aceita Jesus e os muçulmanos aceitam Maomé.
  • Não há mediação sacerdotal obrigatória. Em outras palavras, afirma que entre você e Mazda (Deus) não é necessário um padre ou um guru.
  • Não há salvação automática.
  • Não há ritual que substitua a decisão interior. É necessário cultivar uma mente correta, justa e colocada e ação condizente.
  • A necessidade de bons pensamentos, boas palavras e boas ações.
  • Há uma recompensa ou punição na vida futura.
  • Zoroastro rejeitava o abate de animais para rituais.
  • Rejeitava a violência

São princípios muito fortes que influenciaram até mesmo a filosofia grega. Zoroastro não é o pai da ética mas foi um dos primeiros grandes sistematizadores de uma ética universal e racional na história humana, sempre ligada à responsabilidade individual.

O FIM DO ZOROASTRISMO
Apesar de rejeitar a violência, os líderes seguintes ao fundador, não foram tão pacíficos assim. Deram cabo de Mani (o fundador do Maniqueísmo), perseguiram cristãos e outras religiões que ameaçavam sua posição. Da mesma forma, as comunidades de cristãos de sua época também não eram pacíficas. Quando possível, os cristãos destruíam templos de outras religiões, matavam sacerdotes, roubavam móveis para colocar em suas igrejas.

Ou seja, o período entre o século IV e VII, era bastante tenso com agressões por todos os lados.
Nessa quebra de braços, perdeu o Zoroastrismo.

Quando o Islã entrou na Pérsia (hoje Irã) destituiu o Zoroastrimo da religião oficial. Destruíram grande parte dos seus textos. Lhes submeteram a impostos que praticantes de outras religiões não pagavam. O seguidores de Zoroastro não resistiram e saíram da Pérsia fugindo para a Índia e Inglaterra.

Nesses países também não tiveram crescimento e quase não os vemos (veja o vídeo abaixo). O motivo principal é que o Zoroastrismo não é missionário. Ele não quer converter ninguém. Logo, a adesão é baixa.

RECOMENDAÇÃO
Em síntese, Zoroastro foi eliminado como religião mas venceu como ideia.
Suas ideias ganharam o mundo e estão aí até hoje, com outro nome e com pais adotivos.

Mesmo com tanta importância, não recomendo a todos. A leitura é muito cansativa. Só posso recomendá-lo à estudantes de Teologia, Filosofia, Ciência da Religião e afins.
O leitor que não está preocupado com a origem das ideias será mais feliz lendo outro livro, inclusive em português.

VIDEOS SUGERIDOS PELO AUTOR DESSE POST:

Conheça a prática do Zoroastrismo hoje em dia. Vídeo em inglês.
Acione a legenda em português se precisar  (7 minutos)

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PAULO HENRIQUE ARAUJO

paulo@meditecomigo.org

Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

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