O Maniqueísmo

Sub-título: A genuína missão do Bem e do Mal no contexto evolutivo da humanidade

A coleção “Textos escolhidos” possui uma seleção de palestras para um primeiro contato com a Antroposofia. A linguagem é simples, poucas folhas. Se lê em um dia. E como obra introdutória não exige conhecimentos de Antroposofia para compreendê-lo.

O livro se inicia com uma introdução de Sonia Setzer que toma 10 páginas e segue com o conteúdo principal por Rudolf Steiner, com 17 páginas.

CONTEÚDO
Antes de ler esse livro, ou até mesmo esse resumo, recomendo que você faça uma busca no Youtube por “Maniqueísmo”. Lá você encontrará muitos vídeos de conteúdo praticamente idênticos sobre essa prática espiritual. De forma geral, esses vídeos atribuem ao Maniqueísmo a responsabilidade pela forma de pensar dualista tão presente em nossos dias. É uma simplificação exagerada que transmite ao internauta uma imagem negativa do Maniqueísmo como que se dali nada prestasse.

O livro “O Maniqueísmo” não segue esse tipo de análise que se vê nos vídeos de internet. Ele sai dessa superfície histórica e filosófica, e nos apresentará as bases esotéricas do Maniqueísmo e suas consequências espirituais. Destas quero citar duas:

  1. O Maniqueísmo é o movimento que marca uma etapa na história onde o homem passa a procurar “luz” na sua própria alma e não fora. Em outras palavras, marca o início da autoobservação como caminho. É o nascimento do princípio da descrença: “Deveis desfazer-se de tudo o que vos é trazido pela autoridade externa“. Chega a afirmar que devemos nos desfazer inclusive daquilo que nos chega pelos nossos próprios sentidos.
  2. Mani, o criador do Maniqueísmo, enfatizava a conduta ética sobre o cultivo da vida interior pois a forma exterior de vida cria condições para desenvolvermos certas qualidades em nossa personalidade, em nosso pensar.

Para mim, o ponto principal do livro é a necessidade de se distinguir o Bem do Mal. Em seu texto, Rudolf Steiner nota que aquilo que, no século III, apareceu como intuição para Mani, hoje já se manifesta de forma concreta. Isto é, o Mal já começa a se apresentar claramente em nossos dias e é aceito como coisa normal. 

E EU COM ISSO?
Perceber o Bem e o Mal não é uma questão intelectual, mas um estágio de consciência possível e necessário a todos de nossa época. Steiner não deu exemplos em seu livro mas o Mal está aí. Podemos perceber.

Coloco abaixo 5 exemplos da presença do Mal que são socialmente aceitos. Reforço que isto não está no livro, é reflexão minha e convido o leitor que também faça essa reflexão.

  • Nas universidades de informática, nas disciplinas de programação de jogos e usabilidade, se ensinam explicitamente técnicas para viciar e controlar a atenção dos usuários. É o Mal sendo cultivado por instituição pública.
  • Nas faculdades de marketing, a criatividade é voltada para manipular, explorar ou induzir comportamentos. É prática aceita pela sociedade.
  • Nas redes sociais, vemos o fenômeno do chamado “cancelamento”. Expor defeitos, humilhar publicamente e destruir reputações parece ter se tornado uma técnica legítima e até celebrada de se fazer “justiça”.
  • Em grupos de WhatsApp, a ridicularização como forma de entretenimento é recorrente: memes que zombam de anões, de pessoas sem dentes, de pessoas sem instrução formal, transformando fragilidades humanas em motivo de riso coletivo.
  • A figura pública que exibe desprezo pelo sofrimento alheio. O político que deseja a morte ou eliminação do concorrente e é aplaudido e imitado por suas bases.

Os exemplos são muitos. O que se percebe, em todos esses exemplos, é uma consciência fria, calculista, separada do coração. Algumas pessoas já não sentem vergonha dessas posturas; ao contrário, demonstram orgulho. Essas atitudes recebem aplausos, curtidas ou risadas. Pior, algumas até recebem apoio financeiro do estado para se fortalecer.

Em síntese, pode-se dizer que o Mal que antes vivia oculto no interior humano começa agora a se manifestar de forma aberta, sem máscaras, sem vergonha. Ou seja, o interior espiritual das pessoas está se expressando diretamente. O Mal aparece, mas o Bem também está se tornando mais visível e potente.

O importante é saber que o Bem e o Mal não são relativos e é preciso aprender a distingui-los.
É uma questão de opção.

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PAULO HENRIQUE ARAUJO

paulo@meditecomigo.org

Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

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