MEDITAÇÃO: A ARTE DO ÊXTASE

A MEDITAÇÃO DINÂMICA DE OSHO
Esse é um dos primeiros livros de Osho (1931-1990) quando ele tinha 35 anos e ainda se chamava Bhagwan(guru) Shree(próspero) Rajneesh(nome de registro).

Outro indiano, Vivekananda, foi o primeiro a apresentar o Yoga e a filosofia Hindu aos americanos em 1893. Em 1970, Woodstock ajudou a disseminar a cultura da meditação entre os jovens. Os jovens queriam a ruptura com os padrões de um sistema que já revelava seus problemas. 80 anos depois de Vivekananda, Osho encontrou então um solo já preparado. O interesse por meditação estava a todo gás nos Estados Unidos.

Os livros dessa década eram, de forma geral, introdutórios. Ninguém conhecia nada. Esse também é assim, introdutório. Mas já traz um leque comparativo com outras modalidades meditativas. Osho traz um novo tipo de meditação que o autor acreditava ser mais adequada para ocidentais: a Meditação Dinâmica.

Osho critica a meditação imóvel característica do Zen. Diz ele que a sociedade ocidental é repressora demais. Osho quer quebrar com tudo e liberar o indivíduo de toda repressão retida em nossas couraças. A palavra dinâmica fica dentro desse contexto apenas. A palavra dinâmica não está relacionada com técnicas de crânio-sacral biodinâmica nem com massagem biodinâmica.

O livro começa com uma explicação geral sobre o que é meditação e o estado meditativo. Explica que não há uma causa, ou um passo claro na meditação que gire a chave e nos faça entrar no estado meditativo. O que se sabe é que é preciso fugir da mente racional e saltar sem medo para o inconsciente.

Para isso, Rajneesh pretende levar o meditador para um estado de exaustão física e mental. A partir desse ponto de exaustão, automaticamente inicia-se um processo de relaxamento que é suave, natural, sem necessidade de intervenção pessoal ou de um guia.

Podemos explicar esse mecanismo de outra forma. Ela provoca uma catarse via uma respiração caótica. Assim se libera emoções reprimidas. A respiração rápida e profunda nos dá mais oxigênio e energia do que agora se encontram disponíveis, permitindo ao corpo e mente trabalharem de forma fluida. Essa é a teoria.

A meditação dinâmica é mais ou menos assim:

  • 10 minutos de respiração caótica.
  • 10 minutos de catarse com grito, choro, dança, saltos, risos.
  • 10 minutos finais utiliza o mantra sufi (islâmico) “huu” e daí tenta promover a kundalini.

Sua meditação não funciona e nem é adequada para todos. Por esse motivo Osho apresentará variações e técnicas a serem misturadas com sua Meditação Dinâmica como a experiência de 21 dias em silêncio e reclusão, o método de contemplação no espelho para “encontrar o inconsciente” ou deixar o que há ali ter mais espaço. Lembra bastante a conhecida técnica de desenvolvimento da clarividência.

 

Para os que têm muita agitação mental, Osho aconselha à Tratak, a meditação do olhar fixo. Acredita-se que uma vez que fixamos o olhar podemos imobilizar a mente. É voltada para pessoas que sentam para meditar mas não conseguem diminuir a barulheira dos pensamentos.

 

No livro, Osho descreverá a meditação budista conhecida como Anapana-Sati-Yoga, o Yoga da percepção da respiração. Não é um pranayama. A idéia principal é apenas tomar consciência de sua respiração. Não queremos modificá-la

 

Nos apresenta à várias outras técnicas meditativas como a meditação Devavani (a voz divina), a meditação Gibberish do sufismo islâmico, kundalini, rodopio, shiva-netra (a meditação do terceiro olho), prece, oração em conjunto, Gourishankar (meditação suave com vela), NadaBrahma (meditação do susurro), Nataraj (meditação da dança), meditação ao dormir, e sorrir ao acordar. Fala de mantras, mandalas, bioenergética e LSD. 

Sim, tem tudo isso dentro desse livro. São todas descrições rápidas de poucos parágrafos. Mas lembre-se, o livro é focado na Meditação Dinâmica.

 

ADMIRAÇÃO-DISCORDÂNCIA
O livro não é ruim e nos ajuda a entender melhor o tema da meditação.

A descrição dos processos internos da mecânica da mente, da energia, da prática, é muito boa e assim segue até o capítulo 4 onde começam as perguntas e respostas.

 

Até a página 47 não se fala de efeitos colaterais, ética, moral ou assistência. Isso não é um ponto falho pois o foco de Osho é terapêutico. O próprio Osho deixa claro. Tudo isso daí é muleta e o ideal é não precisar de nada disso. São todas técnicas para criar em todos os corpos (físico, energético, emocional) uma condição favorável à meditação.

 

Você encontrará poucas mas excelentes páginas sobre o assunto da iniciação.

 

Quero antecipar alguns pontos negativos no meu ponto de vista e que o leitor irá se deparar:

  • O capítulo sobre iluminação nos leva ao tédio.
  • Os capítulos 9 e 10, que tratam de sannyasim, de morrer para o passado e de desejos, são bem fracos e poderiam se resumir a uma única página.
  • Osho é bem Osho nesse livro. Trata ocidentais como crianças. É um infindável jogo de palavras. O autor adora usar palavras fortes e frases de efeito. E em alguns momentos chega a falar algumas bobagens. Em certos momentos a lógica perde o fio da meada e dá verdadeiros “saltos”.
  • O último capítulo do livro parece não ter sido escrito por Osho pois o cita em terceira pessoa. Talvez tenha sido adicionado pela tradutora. Teríamos que comparar com a edição original em inglês.
  • Existem práticas semelhantes à meditação dinâmica. Uma pessoa tão informada como ele não tinha como não saber. É uma falha do autor omitir essas referências.

A PRÁTICA
O livro é uma coisa, a prática é outra.

 

Bhagwan Shree Rajneesh criou e adaptou inúmeras formas de meditação que são praticadas em centros espalhados por todo o mundo. Uma rápida busca na internet e facilmente você vai achar uns 20 centros de meditação espalhados pelo Brasil.

 

Tive oportunidade de praticar apenas 3 dessas formas meditativas. 2 delas me surpreenderam muito positivamente. Adorei. Já minha primeira experiência, não foi tão positiva assim. Na verdade, foi péssima. O grupo se descontrolou. O organizador do evento não estava preparado para segurar a onda. Deu “xabu geral”. Algumas pessoas voltaram para casa traumatizadas. Além dessas 3 formas, conheci por vídeo outras formas meditativas desse caminho mas eram muito fortes e incompatíveis com minha ética. O que posso dizer aos interessados é que se você realmente quer experimentar esse caminho meditativo e de auto-conhecimento procure um lugar organizado, com gente preparada e experiente.

 

Conheci 3 sanyassins iniciados pelo próprio Osho na índia e outros nos EUA. Todos pessoas resolvidas, de cabeça boa. Só falavam bem de suas vivências com Osho. Mas todos também reconhecem que é preciso saber onde está se metendo.

 

Se você está fragilizado talvez seja mais adequado olhar para isso em um outro momento quando estiver se sustentando em suas próprias pernas. Algumas práticas podem ser intensas demais.

 

Você pode praticar sozinho em casa. Veja um dos vídeos abaixo da brasileira Antar Gasha.

 

RECOMENDAÇÃO
Osho traz influências de Krishnamurti (1895-1986) e Gurdjieff (1866-1949). Suas técnicas absorvem elementos do taoísmo chinês, do hinduísmo e do budismo tibetano. Osho foi professor de filosofia por 9 anos. Tem muito conhecimento. Se você não tem uma boa base será engolido por Osho.

 

Por tudo isso já exposto acima, apesar dos insights positivos que temos ao ler o livro, não posso recomendá-lo a todos.

Se você é psicólogo ou da bioenergética vai gostar. Mas ainda assim não estará livre de ser engolido por Osho.

links externos sugeridos pelo autor DESSE POST:

VIDEOS SUGERIDOS PELO AUTOR DESSE POST:

Antar Gasha explica a Meditação Dinâmica de Osho. (25 minutos)

Conheça a comunidade Osho Rachana no Brasil. (9 minutos)

Trailer do filme que você encontra no Netflix. Muito bom. Assista!

Krishnamurti fala sobre Osho. Em inglês. (4 minutos)

Brasileiro fala sobre Osho. No vídeo ao lado temos a resposta de Osho para essa pergunta. (4 minutos)

Osho responde à crítica que vive em luxúria. Em inglês. (10 minutos)

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PAULO HENRIQUE ARAUJO
Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

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