ECONOMIA VIVA

Sub-título: O mundo como organismo econômico único.

É um mistério o que leva os tradutores dos filmes de Hollywood a mudarem seus títulos. Casos clássicos sem explicação de como “The Sound of Music” virou “A Noviça Rebelde”. Ou como “Shane” foi traduzido para “Os Brutos Também Amam”. Ou como “Despicable Me” que significa “Eu, desprezível”, virou “Meu Malvado Favorito”.

Com esse livro, a situação se repete. O título original em alemão “Nationalökonomischer Kurs“, ou “Curso de economia” é bem distante da sua versão em português que virou “Economia Viva”. Mas há um motivo para o novo nome da versão brasileira. É que “Economia Viva” expressa uma das idéias centrais expostas por Steiner. Steiner queria nos alertar para as limitações que surgem ao se pensar a economia através de conceitos fixos como preço, lucro, salário, oferta e demanda etc. Quando usamos esses conceitos ficamos limitados e nosso pensar é direcionado a seguir uma forma, um padrão. Feito o cavalo que não consegue olhar para o lado. Mas quando olhamos para o mundo sem essas limitações, percebemos que a economia é viva, dinâmica e não obedece a esses conceitos.

Infelizmente o novo nome não vem sem prejuízo e pode ser confundido com o site “Economia Viva” que oferece cursos presenciais e pela internet. Esse curso tem base na Antroposofia sim! Mas o livro é independente deles e veio primeiro. 100 anos antes. Seu conteúdo é a organização sequenciada das palestras proferidas por Steiner em 1922, na Suíça, para alunos de economia. Foram 14 dias, 14 palestras. Cada uma virou um capítulo.

SOBRE O AUTOR
Brinco que Rudolf Steiner é um daqueles caras geniais que trazem uma sabedoria que acelera a evolução do planeta. Mas diferentemente dos outros “caras geniais”, Steiner trouxe não só conceitos e teoria mas ele conseguiu colocá-los em prática. De Steiner sai aplicações na educação como a pedagogia Waldorf. Aplicações na saúde com sua Medicina Antroposófica. Na agricultura, a técnica Biodinâmica. Na arquitetura, filosofia, dança, música. E também na economia, que é o assunto desse livro.

CONTEÚDO DO LIVRO
Listo abaixo as idéias marcantes de sua economia viva.

  • Sua proposta de visão econômica é integrativa, altruísta e sem barreiras. Isto é, não vai criar proteção ou privilégio para um estado, país ou continente. A economia não tem divisas geográficas. Ela tem divisas ou relações com os aspectos normativos e a vida cultural. Veja o vídeo abaixo sobre trimembração.
  • A vida econômica acontece num ciclo que passa obrigatoriamente pela natureza, pela produção cultural, espiritual e pelo capital.
  • Ao contrário do que se pensa, é a expansão da economia pela globalização e divisão do trabalho o principal impulso que promove o altruísmo na sociedade. Mais até que a religião ou o trabalho dos filósofos com suas propostas de ética e moral.
  • Steiner quer eliminar os conceitos tradicionais de valor, preço e até prazo de validade ao dinheiro.
  • Steiner não é de direita. É contrário à Adam Smith com seus conceitos “ilusórios” a mão-invisível do mercado como fator regulador via lei de oferta e demanda.
  • Steiner também não é de esquerda. É contrário às visões de Marx. Steiner quer mostrar uma economia a partir de um ponto de vista de dentro, onde o observador também se vê dentro do processo. O contrário disso é uma ciência que observa de longe. Marx também queria promover uma consciência para o trabalhador. Mas apresentou uma solução pronta e não libertou os trabalhadores, só fez colocá-los dentro de outra caixinha. Além disso, Marx foge do ponto central da questão social: a realização pessoal.
  • O assalariado tem trabalhado para si, para atender suas necessidades (egoísmo) e não tem visado a atender as necessidades da sociedade (altruísmo).
  • Não se pode dizer que o trabalho desgasta a pessoa.
  • Steiner refaz a idéia de que um operário vende seu trabalho. Esse é um erro conceitual. Na verdade ele vende o resultado de seu trabalho. E esse pequeno detalhe muda muita coisa como poderá observar o leitor que se predispor à leitura.
  • A importância da liberdade.
  • A importância das associações.
  • A necessidade da doação como elemento obrigatório de uma economia saudável.
  • O processo econômico é influenciado pela troca de direitos, de forma semelhante como as trocas de mercadoria. Isso mesmo… troca de direitos. Interessante, não?
  • Steiner nos fala do prejuízo social gerado pela especulação financeira e de imóveis. Ele deve tremer no caixão a cada anúncio das maravilhas do bitcoin.

Não está dito explicitamente no livro mas percebo que Steiner quer que deixemos de ser consumidores como peças isoladas do sistema. Ele vai além do modismo da responsabilidade social e ambiental que devemos assumir como consumidor. Ele quer que possamos criar imagens vivas de cada etapa das relações econômicas e somente assim somos capazes de compreender o que acontece nas relações econômicas.

CRÍTICAS
Ao não usar conceitos fixos, Steiner se supera e consegue ser mais enrolado que o habitual. Talvez seja isso que faz o conteúdo desse livro centenário se manter atual. Mas, é super enrolado.

A QUEM SE DESTINA
Não é um livro para quem pensa em investir em bolsa de valores. Esse inclusive é um dos grandes erros segundo Steiner. Nem um livro para o empreendedor descobrir novos oceanos azuis.

É um livro para aquela pessoa que já está aberta a um caminho espiritual e quer integrá-lo ao mundo externo da economia, do dinheiro, das relações produtivas e comerciais. 
Mas veja bem, não leia esse livro buscando uma solução pronta para aplicar e fazer um mundo melhor. Lembre-se, não há conceitos fixos ou fórmulas prontas. O objetivo é te despertar para elementos de uma dinâmica da vida econômica.

RECOMENDAÇÃO
Talvez seja melhor que o interessado procure ler um outro livrinho antes desse. Procure ler “O ponto central da questão social“. O autor faz muitas referências a conceitos de lá

Mas e aí? Recomendo ou não recomendo?
Sim. Como diz Steiner, a atual teoria econômica nos leva à robotização, à rotina e nos afasta da vida. E de fato, no meu caminho “anti-robotização”, pude constatar que seus livros de economia tem mudado a minha vida para melhor.

Quero encerrar o post com uma frase que está lá na página 142: “O indivíduo que consome diretamente o que compra não pode senão satisfazer seu sentido egoísta.”
Leia o livro ou durma com uma bronca dessa :í

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PAULO HENRIQUE ARAUJO
Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

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