YÔGA, SÁMKHYA E TANTRA

Sub-título: As três mais antigas filosofias da Índia explicadas com clareza e seriedade, num texto de fácil compreensão.

SOBRE O AUTOR
Sérgio Santos é mestre de Yoga desde 1996, presidente da Federação de Yoga de Minas Gerais, e tem impressionantes seiscentos cursos de aprimoramento em seu currículo. São mais de 40 anos dando aula. Sérgio Santos é o autor desse livro que comento aqui.

SOBRE O CONTEÚDO
No Brasil, o Yoga é mais conhecido como atividade física com aquelas posições plásticas (asanas) que nos chamam atenção e desafiam os limites do corpo. Também é conhecido como tradição filosófica de caráter religioso. A idéia central deste livro é contestar esse entendimento de Yoga. Dirá o autor que nas origens, o Yoga é bem diferente disso e em alguns aspectos ele é diametralmente o oposto. Por exemplo, no lugar desse Yoga patriarcal, anti-sensorial, espiritualista-especulativa, vedanta (religiosa) que vemos por aí, defenderá o autor que o Yoga original é matriarcal, sensorial, desrepressor, técnico e não místico.

Para construir sua tese, mestre Sérgio Santos recorrerá ao estudo de levantamentos históricos da década de 20, 30 e 80 sobre duas tradições que fundam a filosofia indiana. A primeira é Samkhya, filosofia teórica baseada no raciocínio e na observação de leis naturais. E depois, o Tantra, filosofia comportamental. 

O livro vai lá nos princípios, na civilização Harappiana também conhecida como Civilização do Vale do Indo. Uma civilização antiga mas super avançada. Coisa de 7 ou 4 mil anos antes de Cristo. Diz o autor que o Yoga vem desde essa civilização. Os símbolos recuperados nas escavações fornecem inspiração para seu ponto de vista assim como para a gravura da capa do livro. A Civilização do Vale do Indo foi descoberta recentemente por historiadores e muitas divergências existem entre eles. Veja ao final dessa página um vídeo com posição contrária à do autor.

Feito isso, o próximo passo em sua argumentação é desenhar a evolução do Yoga criando uma linha divisória entre Yoga Pré-clássica e Yoga Clássica. Sérgio Santos conclui seu ponto de vista afirmando que a forma de Yoga mais próximo dessa origem da Civilização do Vale do Indo é o Swásthya Yoga (Yoga da saúde), criada pelo brasileiro Mestre De Rose.

SOBRE SAMKHYA
Coloco abaixo os conceitos de Samkhya que encontrei no livro e pude anotar:

  1. Samsara, você já deve ter ouvido falar sobre isso;
  2. Os níveis de evolução e seus estágios da consciência. São eles: Estágio evolutivo mineral que corresponde ao plano físico denso; daí seguem o vegetal (corresponde ao energético); o animal (emocional) e o hominal (mental). Os níveis evolutivos seguem e alcançam seu ápice nos estágios superiores do Yogin (nível de intuição), e o mais alto, Yogi, o ser que atinge o nível de Purusha;
  3. São apresentadas as 3 gunas, propriedades existentes em tudo no mundo. São elas: tamas (inércia); rajas (movimento); sattwa (estabilidade);
  4. O livro fala de Karma, Dharma e Egrégora. Conceitos também comuns por aí;
  5. Tattwas, os 24 princípios fundamentais de Samkhya;
  6. Púrusha, Ishwara, Kaivalva.

Samkhya não é Yoga de exercícios físicos. Samkhya é filosofia.
A semelhança de idéias e conceitos com o budismo e o própria Yoga se justifica. Samkhya é mais antiga e emprestou conceitos para inúmeras tradições. Todas as escolas da Índia beberam de Samkhya.

RECOMENDAÇÃO
A escola do Mestre De Rose fez parte de uma geração responsável por difundir o Yoga no Brasil. O livro tem mais de 20 anos. E com tanta informação sobre Yoga por aí fica fácil hoje ler e criticar.
Gostei da organização dos diferentes ramos do Yoga e do Tantra. Gosto dos vídeos-aula do Mestre De Rose sobre alimentação vegana, mas apesar de tudo isso, não posso recomendar o livro e explico o porquê:

  • O livro fala bem pouco de Samkhya e isso já seria motivo suficiente para os interessados em Samkhya não comprarem esse livro.
  • O livro quer ter uma base histórica mas falta muito para tomar conclusões do porte das que o autor chega. Alguns argumentos do autor são dogmáticos.
  • O autor parece estar mais preocupado em provar que sua linha de Yoga, criada recentemente pelo brasileiro De Rose, é o original.  Quer se diferenciar por seguir ensinamentos mais antigos, e por isso se auto-entitula mais legítimo. Isso toma a maior parte do livro e se torna cansativo. Implicitamente desqualifica todas as outras formas de Yoga.
  • O autor coloca o mestre brasileiro De Rose na mesma linha de maestria que Aurobindo, Patanjali e Shiva! Isso mesmo! Fiquei impressionado. Vá lá na página 122. De Rose, segundo o autor, está no mesmo nível de Shiva!
  • Se você procurar direitinho na internet vai encontrar várias críticas sobre conduta ética desse pessoal. Lembrando que isso não é exclusividade deles. Desvios acontecem por toda parte. Com outras escolas espiritualistas e religiosas, órgãos públicos, nas escolas, nas universidades e até mesmo abuso entre familiares. Fique atento!

O livro encerra com a relação entre mestre discípulo e uma estranha ameaça para o discípulo que trair seu mestre. Copio aqui: Sofrerá pesados tributos kármicos em forma de desintegração familiar, enfermidades físicas e psíquicas além de problemas financeiros. Como é que posso recomendar uma coisa dessas?

Existem livros melhores sobre Samkhya. Em português pouca coisa. Samkhya é escrita às vezes com “n”, com ou sem “h”. E isso dificulta a busca. Se você tem proficiência no inglês prefira o livro “Samkhya Darshan” da Bihar School of Yoga. Comentaremos esse livro mais adiante aqui no Medite Comigo.

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PAULO HENRIQUE ARAUJO
Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

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