SETE TIPOS DE ATEÍSMO

PORQUE COMPREI ESTE LIVRO
Vindo de uma familia de cientistas e tendo me aventurado na faculdade em um curso de matemática, tive muitos anos de minha vida arrodeado por ateus. Demorou para eu perceber que muitos cientistas tratam a ciência como um verdadeiro Deus. Me deparei com esse livro. Não estava só. Alguém pensava parecido! Comprei.

DO QUE TRATA O LIVRO
A principal ideia deste livro é que ateísmo não é o oposto de religião.

O ateu negou a existência de Deus, trocou a lei divina pelas leis da natureza (ciência). Mas o ateu ainda continua a usar a moral religiosa, sentido de vida religioso, e conceitos religiosos. Nas palavras do autor, o ateísmo que vemos por aí é outra religião.

John Gray identifica 7 padrões de ateísmo religioso:

  1. Os novos ateus. São os que comparam religião com ciência. Não percebem que não são coisas contrárias. Uma, a ciência, busca explicação. E a outra, a religião, busca significado. Esses ateus atacam a religião sem saber o que é religião.
  2. Os humanistas seculares. Progresso gradual e humanidade são conceitos cristãos. Se enquadram aqui os ateus com forma de pensar usando essas idéias.
  3. Os ateus de fé na ciência. A ciência deixa de ser apenas um método de observação da natureza e passa a ser uma visão de mundo. Ela dita os valores e é a ciência quem passa a dar significado à vida.
  4. Os ateus da religião política. Os movimentos revolucionários seguem padrão religioso que almeja atingir um paraíso na terra.
  5. Os ateus que odeiam Deus. Deus é culpado de um mundo mal. E se Deus é bom como há maldade no mundo? Para essas questões os ateus encontram saídas e explicações também religiosas, diz o autor.
  6. Ateísmo sem progresso. Não há ordem no mundo, dirá o ateu. Como se isso fosse uma idéia não religiosa.
  7. Ateísmo do silêncio. Este ateísta dirá: a realidade, assim como Deus, são inalcançáveis. Nada se pode falar sobre Deus. Toda realidade é uma ilusão. O que se pode atingir é um estado de puro ser pela contemplação silenciosa. Esse ateísta acredita que não é religioso, mas está se baseando em uma forma de pensar religiosa.

O livro do autor ateu John Gray tenta ter uma abordagem histórica seguindo uma cronologia desde 3 mil anos antes de Cristo. Destaca ao longo da história os pensadores que defendiam alguma forma de ateísmo. Têm destaque nesse traçado histórico os ateus epicuristas, que ao olhar para os males dos outros vêem felicidade por não ser ele o prejudicado. Os modernos ateus individualistas, AnyRand e Nietzche. Os ateus socialistas, Karl Marx e Engels. Os ateus liberais. John Stuart Mills. Os ateus facistas. Charles Maurras.

São temas abordados no livro:

  • O racismo dentro do iluminismo;
  • A crença numa falsa ideia de progresso;
  • A equiparação de evolução e progresso;
  • O futuro do homem;
  • A influência da gnose no mundo secular;
  • A escalada do moralismo de origem cristã;
  • Visões herdadas do cristianismo: Progresso, liberalismo e democracia como valor universal;
  • O monoteísmo como gerador de guerras e intolerância;
  • O que acontece com sociedades ateístas. Estudo de caso: os bolchevistas, a revolução francesa e o nazismo.

PONTOS NEGATIVOS:

  • Em alguns momentos o autor sai atirando para todos os lados e não desenvolve bem alguns conceitos. Aí ficamos apenas como observadores de suas queixas.
  • O autor está mais preocupado em provar seu ponto do que explicá-lo. É uma leitura chata e entediante.
  • Gasta-se muito tempo nas vidas dos intelectuais. Fica parecendo que ele quer mostrar que estudou o assunto.
  • Muitas ideias soltas como que colocadas ali de “qualquer jeito”. Nos dá a impressão que o livro é uma colcha de retalhos.
  • Prolixo. Um resumo de 10 páginas seria suficiente para passar a mensagem.

O autor teve uma grande sacada ao classificar os ateus pelas suas formas religiosas de pensar.
É aquele caso de uma boa idéia mas que não teve boa execução. Não vale o dinheiro nem o tempo para lê-lo.

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O autor John Gray fala sobre religião, política e o barbarismo da razão. Vídeo em inglês (6 minutos)

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PAULO HENRIQUE ARAUJO
Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

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