TÍTULO DO LIVRO VEM AQUI

Sub-título: Uma contribuição para a o problema da theologia naturalis

SOBRE O AUTOR
O autor é o alemão Josehp Ratzinger (1927-2022). Ele mesmo, o Papa Bento XVI, aquele que em 2013 abdicou de sua posição. Ratzinger foi um dos teólogos mais influentes do século XX tratando de temas como o amor cristão, a esperança, a justiça social, justiça econômica e sobre Deus, que é o tema do livro “O Deus da fé e o Deus dos Filósofos”. Neste livro temos condensado os principais trechos de dois de seus textos sobre Deus.

CONTEÚDO
É comum ouvirmos pessoas falarem que filosofia é teoria enquanto que religião é experiência, é viva. Essa forma de pensar que coloca filosofia e religião como coisas separadas surge em certo momento da história e tem implicações sérias que continuam até o dia de hoje. De um lado temos os religiosos que optam por um caminho de fé sem buscar coerência lógica. É um caminho do coração, “de dentro”.

De outro lado temos aquelas pessoas que buscam encontrar Deus através de explicações filosóficas, mentais. É o caso da galera Nova Era que adora a quântica. Querem abordar o espiritual através de experiências quantitativas, matemáticas. Essa busca por explicações que deem coerência a um mundo espiritual é um caminho a partir “de fora”, vamos dizer assim.

Ratzinger, afirma que essa separação entre religião e filosofia é um erro. Ratzinger não vai dar nomes aos bois. Ele não citará a quântica nem qualquer outra religião. Ele reforça as bases do que acredita para que o leitor chegue nas suas próprias opiniões.

Esses textos foram escritos quando o cardeal ainda não era papa. Anos depois, quando já era papa, Bento XVI revê seu texto original e continuará sustentando que entre esses dois pólos há uma relação inseparável. Dirá que a tradição católica nunca abandonou a razão. O cristianismo desde sua fundação nunca teve abordagem de fora ou de dentro, ele sempre teve como ponto de partida o todo. Esse todo, ou essa unicidade, existe em outras religiões mas nelas não há uma coerência. A unicidade para essas outras religiões é um conceito secundário, é consequência, não é dele que nasce a fé inicial primordial. O que acontece, diz Bento XVI, é que se a mente não é sempre direcionada ao todo, sua prática será esvaziada. Partindo da razão, que é parte do todo, se chegará em “outro” Deus. É isso que distingue o cristianismo primitivo das religiões pagãs. Inclusive, fique atento, pois o papa quer mostrar que não há outro caminho.

Mas não se sinta mal se você ainda guarda essa forma de pensar que parte de um dos pólos. Josehp Ratzinger reconhece que em alguns momentos da história, até mesmo algumas figuras ilustres da própria igreja se desviaram desse fundamento.

ORGANIZAÇÃO
Apesar de ser um texto referência, a leitura é fácil. Essa edição começa com uma introdução que nos coloca no contexto da época. Sem a introdução a leitura do texto não teria o mesmo alcance. O livro todo nos apresenta a evolução do pensamento religioso. É excelente! É um livro para quem gosta de pensar.

O livro tem uma belíssima produção gráfica em sintonia com a atmosfera do livro, de leveza, de positividade e pacificação.

Não é necessário nenhum conhecimento de filosofia ou teologia para entender a mensagem do sumo pontífice mas será mais apreciado se o leitor ler em primeiro lugar “Uma história de Deus” da ex-freira Karen Armstrong já comentado aqui nesse nosso site. O papa trará respostas para questionamentos que a ex-freira deixou em aberto. Os dois combinam muito bem.

MINHA IMPRESSÃO PESSOAL
Muita gente gostaria que Bento XVI tivesse o mesmo carisma que João Paulo II. De fato, o que lhe faltava em simpatia sobrava em outras áreas as quais ficaram registradas nos seus textos. Dê uma chance. O que tem no livro é bom.

Apesar de eu não ser católico, encontrei solidez na teologia fundamental de Ratzinger. Recomendo até mesmo aos que questionam as definições usuais de Deus e sem respostas se distanciam de tudo que é espiritual.

Acho que o papa foi quase infalível :) Em algumas questões secundárias o papa erra. Posso citar por exemplo o trecho em que alfineta o islamismo. Basta lançar duas perguntas para o ChatGPT e veremos que o santo padre comete erro de interpretação da religião concorrente. A vida de papa é mais desafiadora em épocas de inteligência artificial. Mas no final acho ele se sai muito bem, muito bem.

Quero encerrar esse post com um pequeno ponto que me chamou a atenção: Deus é um ser supremo? O papa defende que não. A explicação não darei. Que a curiosidade de seu polo filosófico mental lhe impulsione a ler o livro e encontrar a resposta.

posts NOSSOS RELACIONADOS COM ESSE TEMA:

Uma história de Deus

A história do conceito de Deus. Um livro de fatos históricos, caminhos...

Ir ao post
PAULO HENRIQUE ARAUJO

paulo@meditecomigo.org

Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

Seja avisado de novos resumos. Em média 1 ou 2 livros por semana. Sem propaganda, nem bate-papo. Saia a qualquer hora.

CLIQUE AQUI e seja adicionado à nossa lista de Whatsapp.

Seja avisado de novos resumos. Em média 1 ou 2 livros por semana. Sem propaganda, nem bate-papo. Saia a qualquer hora..

CLIQUE AQUI e seja adicionado à nossa lista de Whatsapp.

Veja posts por autor:

O Deus da Fé e o Deus dos Filósofos