Em A formação do imaginário, os autores tratam da capacidade imaginativa — um processo anterior à expressão, que influencia diretamente a construção da nossa personalidade. Essa capacidade nos permite ampliar a visão de mundo e compreender outros pontos de vista.
CONTEÚDO
Como desenvolver essa capacidade imaginativa? Gerentes de RH, a turma da cultura, os místicos — cada um tem sua teoria. Aqui, em A formação do imaginário, a via de desenvolvimento é a literatura.
Mas nem toda literatura serve. Literatura de entretenimento, poesia e livros técnicos não são adequados para esse fim.
Dizem os autores: leiam os clássicos. Quando se entra em contato com os clássicos, o leitor suspende seu contexto moral habitual e se transporta para outro. Nesse novo contexto, a imaginação ganha liberdade, movendo-se sem as barreiras impostas pela sociedade. Ao ler os clássicos, o campo imaginário se expande. Entramos em contato com novas ideias e culturas, o que nos ajuda a perceber o que antes passava despercebido.
“Aquilo que escape dos limites do seu imaginário será, para você, perfeitamente inexistente.”
DESTAQUE
Uma parte marcante, para mim, foi a afirmação de que a literatura enriquece a conexão entre coração e mente.
Um dos autores usa uma situação oposta para ilustrar seu ponto: imagine uma pessoa com vocabulário limitado. Ela terá dificuldade em construir uma ponte cognitiva entre o que vive e o que pensa. Para se expressar, repetirá falas de terceiros. Sem um conjunto simbólico que lhe permita expressar-se, viverá numa “caixinha”, pensando apenas o que já foi pensado por outros. Sem opinião própria verdadeira, estará robotizada.
O triste é que, além de não compreender o mundo, esta pessoa terá dificuldade em compreender os demais.
Em suma: “A arte de compreender pessoas depende inteiramente da amplitude do seu imaginário — da sua capacidade de vivenciar imaginativamente situações que você nunca viveu pessoalmente.”
ESTRUTURA
O livro está organizado em quatro capítulos, cada um escrito por um autor diferente:
O livro se encerra com dois artigos de Olavo de Carvalho.
RECOMENDAÇÃO
Escrito para o leitor comum, A formação do imaginário é de leitura fácil e não está vinculado a nenhuma corrente espiritual. Esta publicação poderá interessar pais que estejam avaliando em que escola colocar seus filhos.
A obra não é original e é possível encontrar outros livros que tratam do mesmo assunto.
Depois de ler este livro, decidi que leria um clássico. Já escolhi: Fausto, de Goethe. Um dia, comento por aqui.
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paulo@meditecomigo.org
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