A CONSCIÊNCIA DE SI

Algumas pessoas tem o dom da escrita, outras tem o dom da auto-percepção. Louis Lavelle possui ambos. Essa combinação resulta em um livro que impressiona. Pelo menos foi assim que experimentei meu primeiro contato com este autor. Sim, foi uma “experiência” pois em cada capítulo minha mente era levada a resgatar sensações e impressões de situações diversas que já vivi, mas que jamais as notaria como Lavelle faz. É impressionante como Louis Lavelle consegue perceber tantas sutilezas disso que dá nome ao livro: A consciência de si.

Em inúmeros pequenos capítulos, Louis Lavelle aborda temas que um buscador se depara em suas reflexões como sobre ser forte, sobre sucesso, moderação, sobre talentos e inúmeros outros aspectos que constituem o “eu”.

Louis Lavelle faz isso sem precisar criar uma estrutura conceitual. Para mim, eis aí seu valor. Do lugar onde somos remetidos com sua leitura, pude perceber que as ciências exatas, a psicologia, as religiões, e os caminhos alternativos como Teosofia, Espiritismo, Antroposofia ou Conscienciologia colocam nossas mentes em uma caixa, em uma estrutura de teorias, conceitos, símbolos e imagens. Esses caminhos de desenvolvimento nos dão lucidez mas ao mesmo tempo nos inserem dentro de outro molde. Com Louis Lavelle me libertei dessas coisas. Ou melhor, coloquei-as no seu devido lugar.

Vamos assim até pouco mais da primeira metade do livro. Chegando mais próximo ao final, os textos de Lavelle perdem esse poder de invocação da própria consciência e nos joga no lugar comum do mundo racional e das suposições. Nessa parte entediante tratará da morte, do tempo e do amor.

Mas aquela primeira impressão me marcou. Fechei o livro afirmando: “Não é o conhecimento que liberta, é a consciência de si que liberta“. Uma frase muito representativa pois o livro é recheado de frases de efeito e de alto impacto.

“A consciência de si” é composto de capítulos curtos de 2 ou 3 páginas mas que não aceitam tempo de respiro entre si. Devem ser lidos dentro de um ritmo constante principalmente se no início você conseguiu se conectar com o que está ali.

Adiciono este volume na lista das obras recomendadas. Contudo, exige uma contraparte do leitor. O autor invoca assuntos que só terão valor se o leitor já tiver passado por algumas vivências, caso contrário serão palavras ao vento.

Além dessa auto-observação, a leitura exige muita atenção não apenas pela profundidade mas pelo uso excessivo de pronomes, segundo minha esposa, característica essa proveniente do idioma original, o francês.

O livro agradará a todos independente de sua opção religiosa. A palavra Deus é utilizada algumas vezes. Não é uma obra de teologia e não está vinculada a nenhuma religião ou prática espiritual.

Quase 100 anos depois de ter sido escrito, em termos conceituais não há muito de novo aqui. Mas para mim, o que importou foi o conjunto dos temas escolhidos, do conteúdo e da forma, que juntos me proporcionaram uma experiência de leitura ímpar.

SOBRE O AUTOR
Os especialistas dizem que Louis Lavelle(1883-1951) foi um filósofo que tentou compreender a natureza da experiência humana. Apesar de ter suas próprias ideias, que alguns chamam de psicologia espiritual, esses estudiosos sempre o colocam como herdeiros do nobelista Henri Bergson. Ao ler “A consciência de si” encontrei outro Louis Lavelle, não esse dos especialistas pois quando se fala em filósofo automaticamente associamos à intelectos frios, de razão pura e lógica matemática. Encontrei um ser humano experiente, sensível, que fala mais ao coração que à mente. Um Lavelle mais próximo de um poeta do que um filósofo.

Cheguei em Louis Lavelle depois de ouvir os elogios do porto-alegrense, professor e diretor de teatro Roberto Mallet. Vou deixar aqui seu site e seu instagram pois é outra pessoa vale a pena conhecer.

https://www.instagram.com/roberto_mallet/
https://site.robertomallet.com.br/home

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Um resumo do conteúdo por Vicente Tolezano (16 minutos)

PAULO HENRIQUE ARAUJO

paulo@meditecomigo.org

Moro em Recife. Desde cedo trabalhei e empreendi em vários segmentos dentro e fora do Brasil. Quando morava na China percebi que deveria dar mais atenção ao caminho espiritual. Além dos cursos e das práticas, os livros também ajudaram na minha jornada. Compartilho aqui alguns resumos na esperança que eles também lhes sejam úteis. Para ver todos os posts de Paulo clique aqui.

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